Sunday, November 16, 2008

Reflexoes sobre a vida de seminarista

Obrigado por acessar meu blog pessoal. Eh um prazer enorme ter voce por aqui!!

Outra coisa que estive a pensar outro dia foi a idade que se comeca a estudar teologia com vistas a ser pastor luterano. E percebi que ha bastante diferenca de idade entre o 'fuchs'(como o calouro eh chamado no Seminario Luterano) brasileiro e o americano. Acho interessante repartir o pensamento por este vies (o gaucho que adora usar essa palavra 'vies').

Confesso que, ha uns 4 anos atras, logo apos saber que a idade media do pastor recem-formado aqui dos EUA eh de 27, 28 anos, pensei: "Nossa, como eles saem 'velhos' para o ministerio pastoral....". 

Porem, alguns anos depois e muitos pensamentos alem, mudei de opiniao. Siga o raciocionio neste post.....

No Brasil, logo apos o Ensino Medio, o rapaz estah apto a tentar entrar no Seminario para formar-se pastor luterano. O pre-requisito eh justamente ter o diploma do 2o. grau. Geralmente, o rapaz estah com 17 para 18 anos quando ingressa no seu 1o. semestre de Teologia. 

Para mim, foi uma fase na minha vida onde muitas coisas estavam acontecendo e eu necessariamente nao tinha condicoes de lidar com todas elas - especialmente o fato de ter certeza se eu queria mesmo ser pastor ou nao. Mas sabe como eh, como a carreira eh longe no Seminario - 6 ano ou 12 semestres - pensei que haveria tempo suficiente para saber ser era isso mesmo o que eu queria para minha vida. Mais alem, haveria tempo suficiente para Deus  mostrar para mim o que Ele queria (quer) para a minha vida. 

No Brasil, as coisas sao todas mais complicadas. Mais probreza, mais impostos, mais violencia, menos dinheiro, menor valorizacao do empregado, menos oportunidades... Assim, o cara, aos 18 anos, de uma forma ou de outra, jah precisa amadurecer para a vida. Muitas pessoas com 18 anos jah sao donas do proprio nariz, ganham o suficiente para sustentar-se e jah nao dependem mais dos pais. 

Entrementes, nos Estados Unidos o rapaz soh pode candidatar-se a entrar no Seminario apos ter concluido a faculdade (ou estar no ultimo semestre). Assim, o caboclo submete seu nome e curriculo ali pelos 21, 22 anos - considerando entre 4 e 5 anos, em media, de tempo de curso superior. 

Assim, o pastor luterano da igreja americana terah uma idade minima de 25 anos quando sair do Seminario e aceitar seu primeiro chamado para uma paroquia. Lah no Brasil, apos os 6 anos, o pastor luterano terah entre 22 e 23 anos - a idade que, aqui na America, os peao tao comecando a estudar teologia......

Quando cito para amigos a idade com a qual entramos no Seminario lah no Brasil, muitos se espantam com a 'jovialidade' do candidato a pastor! Nao eh pra menos: aqui nos EUA, com 17, 18 anos, o sujeito estah apenas entrando na facul, sendo um freshman, isso eh, um calouro. 

Isso espanta muita gente aqui porque a cultura aqui eh um pouco diferente. E isso que vou escrever agora eh um ponto muito interessante/importante nessa questao.

Outro dia, um amigo falou que alguem soh deixa de ser considerado adolescente quando tem a propria casa e paga as proprias contas, o que aqui nos EUA acontece, de modo geral, somente apos a facul. Isto eh, com 22, 23 anos. 

Ali acima eu citei que, no Brasil, com 18 anos (se nao antes), muitas pessoas jah sao ateh emancipadas; jah cuidam do proprio nariz. Assim, jah deixam de ser consideradas adolescentes (claro, dentro do pensamento americano) bem antes dos jovens americanos. 

Assim, poder-se-ia dizer que a mesma maturidade que o jovem americano tem aos 22, quando terminou a facul e estah comencando a mandar o no proprio nariz eh a mesma que o jovem brasileiro tem quando termina o Ensino Medio e estah por entrar na facul. Evidentemente, esta-se falando aqui de media, em geral e assim por diante. 

Dadas as diferencas culturais, o meu amigo concordou que 18 anos para o brasileiro nao estah assim tao longe dos 22 anos para o americano, jah que o amadurecimento - o cerne da questao - aparenta ser o mesmo....

Porem, eu acho que eles levam vantagem sobre nos brasileiros nesta questao. Explico:

Uma vez que vc entra na facul, vc comeca a estudar num nivel mais avancado, com novas 'ferramentas' de estudos, com professores mais preparados, com um leque de opcoes maior. Sem contar que apos 4 anos de facul, vc tem uma outra visao de mundo e de conhecimento (nao necessariamente mais maduro entrentanto...). Assim, fica mais facil vc estudar em nivel de pos/mestrado como eh o nivel do Seminario Luterano - tanto aqui nos EUA como lah no Brasil.

Ou seja, nos 'fuchs' no Brasil recem saimos de um Ensino Medio muitas vezes (se nao na maioria) BEM medio e jah caimos (de para-quedas eu diria) num nivel de estudos universitario avancado, bem como num nivel de Seminario que eh de pos-graduacao - senao mestrado, como eh o nosso Seminario no Brasil. 

Acho que nos falta ferramentas 'pessoais' de estudos, sistematica de estudos, experiencia em biblioteca estudando, nivel mais aprofundado de reflexao (que o curso superior, em teste, traz) e assim por diante.

Portanto, eh desta meneira que, ao meu ver, os freshmen americanos levam vantagem sobre os fuchs brasileiros. Eles jah largam com algumas 'vantagens academicas' em relacao ao nos... Hoje eu diria a voce que le este Blog que eu preferiria ter ido primeiro a facul, curtido meu tempo de ensino superior, adquirido mais das tais 'ferramentas didatico-estudantis' e, entao, entrado no Seminario... Acho que muita coisa eu teria feito diferente.....

Grande abraco!
Tiago.

4 comments:

Rahel said...

Olá Tiago,

Bem legal esse post.
Eu concordo com basicamente tudo que você colocou. Acho importante ter um pouco mais de experiência de vida mesmo para qualquer profissão...

... mas em especial naquelas que lidam diretamente com pessoas e cujo trabalho é orientá-las, ajudá-las, instruí-las, enfim...

... falando em fazer faculdade antes, seria legal se o povo fosse fortemente orientado a fazer pedagogia juntamente com teologia, ou antes. Especialmente considerando que o papel de ensinar é fundamental no ministério, e hoje temos uma formação que, me parece, privilegia a pregação e não exatamente o ensino. Sinto falta de estruturas congregacionais que girem mais em torno de uma cadeia de ensino.

Mas voltando ao particular da formação pastoral... uma vantagem, não comparativa ao modelo americano, que os seminaristas ielbianos hoje levam em relação ao passado é que na parceria com a ULBRA, o seminário e o seminarista, precisaram aprender a lidar com diversas realidades (as dos outros cursos e alunos da ULBRA). Não é verdade?

Bem... eu considero essa interação uma benção e uma grande oportunidade de aprendizado.


.abraços.
.el.

Dâmaris said...

Oi Tiago,

Muito pertinentes os pontos levantados em sua reflexão. Quem sabe não seja o início de uma mudança! Grandes mudanças começam com pequenas e às vezes insuspeitadas mudanças.

Beijos,

Pérside said...

Considerando suas explicaçoes tb acho que o sisema aí é melhor. Fora que o cara tem tempo de "conhecer o mundo real", pois náo dá para negar que denro do semniário (e na igreja em geral) vivemos numa "bolha", protegidos. Náo que seja ruim, na verdade é "mais bom"do que ruim, mas para algumas questões ficamos meio sem saber como reagir nem sabendo como melhor utilizar a fé em Cristo e a plavra de Deus. Náo sei se me fiz entender, mas realmente aqui os candidatos sao bem novos. Na verdade até para fazer faculdade é muito cedo. era isso.

Abner Elpino Campos said...

Olá Tiago,
Achei excelente tuas colocações sobre a falta de vivência "extra-seminário" de nossos seminaristas. Creio que os mesmo devem ser estimulados a procurar essa vivência, bem como a IELB deveria estimular que pessoas "mais velhas", com graduação em outras áreas, também ingressem no seminário.
Grande abraço.
Abner